A Bruxaria como ato político: uma das religiões mais disruptoras e revolucionárias da atualidade

João Batista
By João Batista agosto 17, 2019 23:43

Talvez uma pequena minoria acredite que Bruxaria não tenha nada a ver com política, que não se deve misturar estas áreas e que a Bruxaria deve se manter distante das discussões políticas. Mas muito pelo contrário, quem assim pensa, no mínimo está desconectado da realidade, não entendeu a importância da participação social ou não entendeu a Bruxaria, sua relevância e que esta é inerentemente política. Assim, neste artigo pretendo apresentar a relação entre Bruxaria e Política e por quê a Bruxaria moderna é um ato político. Acredito que o indivíduo ao optar pela Bruxaria como religião, está fazendo uma escolha e esta escolha está em consonância com as demandas ambientais, com as questões de gêneros, com as liberdades individuais e com a democracia e, portanto, em dissonância com o Estado religioso, conservador e neoliberal.

A RESPEITO DA POLÍTICA

As pessoas são livres para escolher. E estas escolhas acontecem o tempo todo. As mudanças que vemos nas aparências das pessoas, nas cidades, são resultados destas escolhas. Então, a escolha é algo inerente ao ser humano. Isso porque ele se constrói a partir de suas escolhas. E ao considerar a coisa pública também é assim. Ele escolhe juntamente com outras liberdades o que ele pretende fazer de si mesmo e ao fazer suas escolhas, ele aponta, sugere a sociedade, ao mundo, um modelo que se seguido tende a alterar as configurações globais de um sistema. Isto é uma escolha política. Baseado neste princípio, estas escolhas acabam refletindo na forma como queremos que a sociedade e o Estado seja organizado ou quais politicas públicas deveriam ser priorizadas. Há escolhas individuais, posicionamentos que favorecem determinadas tipos de governos, um governo conservador por exemplo. E existem visões, escolhas e posicionamentos que favorecem outros tipos de governo. Por exemplo, se acredito que todas as mulheres não devem se maquiar devido a alguma questão religiosa, acabo favorecendo um governo conservador, um governo e um Estado religioso. Se acredito que a participação popular é importante e me organizo em associações, logicamente acabo favorecendo governos democráticos. E assim realizamos nossas escolhas que se alinham a determinado tipo de governo. E assim, nossas escolhas individuais vão moldando a política em nível macro. E a Bruxaria possui uma quantidade, qualidade de princípios e práticas que se escolhidas individualmente vai contra o conservadorismo político, contra o Estado religioso, contra a lógica de acumulação capitalista, seus efeitos e contra o Estado opressor. Portanto, se tratando de um tipo de escolha mais alinhada a esquerda, a liberdade política, religiosa e sexual. Quando um indivíduo escolhe por coisas simples como abrir um círculo mágico, ele está fazendo uma escolha religiosa que possui afinidade com determinados esquemas de governo e que totalmente destoa de outros. Quando alguém decide abrir um círculo mágico ele está realizando um ato político e dizendo não a certos tipos de sistemas políticos.

3 A BRUXARIA

A bruxaria moderna e contemporânea se caracteriza pelo culto a deusa. Segundo Eisler (1987), a deusa foi cultuada o alongo de 40.000 anos. Por se tratar de uma deusa imanente, que estava em tudo e em todos. Por se tratar de uma deusa telúrica, que possuía características da terra em sua constituição e ritos, esse culto representava o culto a terra. Para Eisler (1987), em nossa própria herança judaico-cristã, podemos identificá-la como Aisherah, a consorte de Yaweh que foi adorada na forma de árvore ou duas estacas. Ainda podemos identificá-la na Virgem Maria Católica, a Sagrada Mãe de Deus. Entre os índios da América do Sul e no Brasil a Deusa-Mãe é Jacy e de acordo com Eisler (1987, p.20), na Grécia Antiga é Gaia; Ísis, Nut e Maat, no Egito; Ishtar, Astarte e Lilith, no Crescente Fértil; Deméter, Core e Hera, na Grécia; e Atárgatis, Ceres e Cibele, em Roma. Em Creta é Minéia. Na bruxaria moderna, a deusa mãe é apresentada em três faces, a saber, da virgem, da mãe e Anciã como um reflexo da terra que sempre nasce, se renova e fenece por meio das estações ou ainda como reflexo das fases da lua. Com o avanço do patriarcado e do catolicismo, este culto foi perseguido e proibido na Europa. De acordo com Bezerra (2007), a partir da década de 1950, quando a bruxaria é liberada na Inglaterra, o culto a deusa é retomado por Gerard Gardner devido a difusão do seu livro titulado “A bruxaria hoje”. A partir daí novos desenvolvimentos ocorrem e surgem novas tradições como, a Wicca Alexandrina, A Saxon Wicca, a tradição eclética, a tradição diânica e a possibilidade de prática solitária, independente de adesão a um Coven. (BEZERRA, 2017).Solitária ou em pequenos grupos (covens), a bruxaria contemporânea trata de um culto ao feminino e a terra na forma de uma deusa. O relacionamento com a deusa na Bruxaria contemporânea se dá por meio de uma busca de harmonização com a natureza, ou seja, pela busca de aspectos da deusa na natureza; por meio de rituais maiores que visam a harmonização com a deusa que se dá na forma de preces, diálogos e meditações e em rituais menores que são aqueles rituais voltados exclusivamente a pedidos que são feitos por meio do auxílio de visualizações, da energia das ervas, cristais, cores e a energia dos planetas. Além de seguirem um código de ética, o respeito pela formas de vida, à liberdade e decisões alheias são também formas do adepto dizer que segue os princípios femininos da deusa envolvendo sensibilidade, cooperação e respeito. Assim, muitas bruxas acabam defendendo certos direitos como a questão a ambiental, o direito a liberdade, a liberdade das mulheres e a proteção aos animais. Assim, além da escolha ser um ato político muitos praticantes acabam efetivamente se envolvendo nestas lutas. E ao contrário do que se pensa – visão difundida durante a idade média e vigente até os dias de hoje – não tem nada a ver com violências praticadas contra animais, crianças e escolhas alheias.

4 A RELAÇÃO ENTRE BRUXARIA E POLÍTICA4.1 O CULTO A DEUSA MÃE – O CULTO A O FEMININO

A Bruxaria conhecida pela religião da deusa é definida por um culto a uma deusa-mãe que acaba se tornando um culto ao feminino. Assim, pressupõe o retorno do sagrado no feminino. Evidentemente que trata de uma espécie de femininismo e uma posição contra o patriarcado. Assim, naturalmente as wiccas (nome dado às praticantes da Bruxaria) optam pelo femininismo ou pelo pró-feminismo no caso de homens e isto traz uma série de implicações envolvendo a igualdade de direito entre homens e mulheres. De certo modo, quando você opta pela Bruxaria, você opta pela valorização do feminino e, portanto, opta pela igualdade de direitos entre homens e mulheres. Portanto, quando você opta pela Bruxaria, independente da sua vontade, você está se manifestando contra as manifestações do patriarcado e isto é um ato político.

4.2 A CRENÇA NUMA DEUSA AO INVÉS DE UM DEUS

A projeção do masculino no sagrado gerou uma sociedade onde a figura masculina é central. Então você tem um deus masculino, um salvador masculino, os representantes deste deus são masculinos, o ideal de governo é masculino. O ideal de autoridade esta lastrada nesta imagem do deus masculino e passa a ser o masculino. E isso muda a lógica, a Bruxaria ainda que marginalmente reprojeta o feminino no sagrado, isto ameaça dividir espaço com o masculino no sagrado e, portanto, uma ameça a reorganização da sociedade e das religiões. E isso solapa as bases do poder ideológico centrado no masculino, do estado religioso e dificulta a formação de manadas e, portanto, a condução do povo. Logicamente que optar pela Bruxaria, neste caso, constitui um ato político, independente de nossas vontades.

4.3 A DEUSA E O DEUS COMO EXPRESSÕES DA NATUREZA

A Bruxaria é conhecida também pela religião da Terra. Isso por possuir uma íntima ligação com a natureza. Isso porque os wiccas cultuam a natureza na forma de uma deusa e a natureza como os rios, matas, oceanos são expressões desta deusa. Ademais cultuam um deus que defende e protege a natureza e os animais. Do ponto de vista mágico existe também uma ligação já que, é da natureza e suas várias propriedades que se utilizam da energia vital para realizar sua magia. Enfim, para os wiccas a natureza é sagrada. Isso coloca-os dentro da ideia de ecologia profunda, uma percepção da natureza com bases espirituais e de certo modo em menor ou maior grau em ativistas ambientais. Logicamente, que mais uma vez devido as escolhas pessoais, politicamente escolhem pela preservação dos biomas e das espécies. Trata de uma escolha política que vai contra os interesses do grande capital e de um Estado subordinado ao grande capital. A Terra como sagrada, a sacralidade da Terra que visam resgatar é algo que interfere nesses interesses. Portanto, cultuar uma deusa e um deus que são expressos na natureza se transforma num ato politico e por isso, a Bruxaria é um ato político. Ver a Terra, os biomas e os ecossistemas como sagrados é um ato político, pois evidencia que os usos destes recursos devem ser condicionados. E por isso, a Bruxaria independente de nossas vontades é um ato político.

4.4 A REDE: FAÇA O QUE QUISERES DESDE QUE NÃO PREJUDIQUE A NADA NEM A NINGUÉM

Este é um dos dogmas dos wiccas. Você pode fazer tudo, menos fazer o mal a outro. Abster-se de fazer o mal a outro inclui não interferir em seu livre arbítrio sob penas que este mal desejado volte a você três vezes mais. É uma restrição positiva que visa garantir a liberdade alheia. Não se trata de proibição severa, mas além de enfatizar a punição especifica o bônus caso a pessoa deseje o bem. Como é o único dogma da religião, além do culto a natureza e a uma deusa, ela refuta todas as outras regras comuns a demais religiões se tratando de uma religião da liberdade. Quando eu aceito que todas as outras regras religiosas comumente aplicadas não são relevantes, eu afirmo o meu modelo frente a demais religiões. Isso vai contra o Estado religioso e mais uma vez se transforma num ato político. Muitas religiões estabelecem regras para usos de vestes, maneiras de falar, sobre a vida conjugal de seus adeptos, etc. Regulam a vida espiritual e íntima das pessoas. Quando a Bruxaria abre mão desta regulação, ela afirma a liberdade e se afirma como um modelo alternativo a todas estas religiões e se constitui numa religião da liberdade, principalmente por defender o respeito ao livre arbítrio. Quando em minha esfera pessoal escolho pela liberdade, me afino com escolhas politicas pautadas pela liberdade, por estados libertários e fundados na liberdade, enfim na democracia. Portanto, seguir a rede wicca é um ato político, pois você esta afirmando a liberdade como algo a ser preservado e conquistado, seja ela sexual, religiosa, de pensamento, etc. Você está dizendo que é a favor da liberdade, contra a violência e a opressão. Que seus atos devem ser pautados pela liberdade alheia. Quando sou exortado a não interferir no livre arbítrio sob penas disto voltar três vezes contra mim, isto evidencia a relevância da liberdade nesta religião. Enfim, afirmar a liberdade é um ato político e destoa de governos conservadores, autoritários, com o Estado religioso e afirma a democracia. Por isso, a Bruxaria é um ato político.

4.5 BRUXAS NÃO ACREDITAM NO DIABO

Bruxas não acreditam na existência do diabo e do inferno, da mesma forma que não acreditam em pecado. Este é um dos golpes mais duros contra o Estado religioso e as bancadas evangélicas. O fato de não acreditarem em pecado, diabo ou inferno, ocorre justamente por se tratar de um culto pré-cristão e por ser o pecado, o diabo e o inferno uma ideia/invenção recente, cristã, desenvolvida principalmente a partir da idade média por clérigos do catolicismo. Alternativamente, Bruxas acreditam em ação e consequência. Se você agir de determinado modo, colherá determinados resultados. Se agir de outro modo, colherá outro resultados. Assim, os erros praticados por alguém não geram uma dívida a ser reparada como em algumas religiões. E nisto, também não acreditam na ideia de Karma. Para estas, tudo o que se faz é pago, mas nesta vida. Não existe um saldo para a próxima vida a ser pago por meio de reencarnação e não existe um castigo após a morte pelos erros cometidos. E consequentemente, já que não existe Karma ou pecado, não existe a necessidade de expiação de pecados seja por meio de sacrifícios, por meio de um salvador, por meio de penitências; confissões; louvores; fidelidade a algum culto; martírios, autoflagelação, etc. Qual a implicação disso? Como a religião cristã está fundada na crença no diabo e no inferno, o culto das Bruxas e suas crenças colocam por terra a religião cristã e suas implicações políticas. Isso porque ao descreditar do diabo e no inferno, o sacrifício cristão perde relevância. Claro que este é um dos aspectos mais disruptores da Bruxaria, justo porque o Estado religioso com tendências autoritárias, as bancadas evangélicas, o conservadorismo se fundam neste mesmo princípio, ou seja, no medo derivados na crença no diabo e no inferno. Portanto, a escolha pela Bruxaria é uma escolha política radical já que é uma escolha que corrói as bases da bancada evangélica, do estado religioso e de governos conservadores. Não acreditar no diabo é uma escolha política revolucionária. Para as Bruxas quando as pessoas morrem vão para um lugar chamado Summerland, onde se preparam para uma nova encarnação. Dependendo do seu estágio evolutivo não precisam retornar para Summerland e se unem ao todo tal como é apresentado pela religiões mesopagãs. Trata de um lugar paradisíaco, a exceção que aqueles que aprontaram nesta vida terão que se preparar por mais tempo ou trabalhar. Mas não existe a ideia de punição, de sofrimento, fogo, nem nada. E isto é bastante libertador, disruptor e com implicações políticas interessantes. Por isso, a Bruxaria é política. Sem diabo não existe o cristianismo. Sem diabo não existe bancada evangélica. Sem diabo não existe partido cristão. Sem diabo não estado religioso.

4.6 O CULTO A VÁRIOS DEUSES O RESGATE DE OUTROS DEUSES

Bruxas não acreditam em um único deus, ou seja, não são adeptas do monoteísmo. São politeístas e cultua panteões, ou seja, grupos de deuses de acordo com cada cultura. Assim, podem cultuar um panteão grego, romano, sumérico, cananeu, hindu, celta, nórdico, andino, brasileiro, yorubá, etc. O leque é vasto e pode incluir no culto até mesmo uns 50.000 deuses. E com a proposta da Tradição Diânica do Brasil chamada Cy daqui, juntamente com uma perspectiva subjetiva da paisagem pode-se encontrar uma infinidade de Cys apenas nas terras brasileiras e outras infinidades de deusas no restante do mundo. Quais as implicações disso? Primeiro que a ordem dominante que baliza o poder ideológico no ocidente diz que se deve cultuar apenas um deus. Isto significa que Bruxas não estão sob a égide do poder religioso e isto é bastante nocivo, principalmente quando a crença num único deus facilita a criação e condução de manadas por um líder político. Como o pastor irá conduzir as escolhas políticas de 1 milhão de pessoas se estas não acreditam no deus do referido pastor, pelo contrário numa infinidade. Mais uma vez, cultuar uma diversidade de deuses é um ato político contra o Estado religioso cristão ou um estado conservador e a favor de um estado democrático, que respeite a diversidade religiosa. Por isso a Bruxaria é um ato político. Quando você opta em ser wicca, você está optando pelo exercício da liberdade religiosa.

4.7 CÓDIGO ABERTO

Com a perseguição da igreja católica aos pagãos, a prática se tornou subterrânea até 1950 quando com a liberação da religião, a Bruxaria moderna inicia-se com Gerard Gardner que por meio do seu livro das sombras, uma espécie diário, desenvolveu a Wicca gardneriana. De lá pra cá esta se desenvolveu em várias vertentes chamadas tradições. Assim como a religião cristã possui o catolicismo ortodoxo, de Roma, protestante, batista, anglicana, presbiteriana, a bruxaria também passa pelo mesmo processo só que um pouco mais rápido devido a sua estrutura flexível e ausência de uma estrutura hierárquica. Atualmente são mais de 17 tradições. Isso evidencia que a mesma é dotada de um poder de replicação muito elevado e qualquer um – salvo a capacidade e algumas visões ao contrário – pode iniciar a sua própria tradição ou o seu próprio caminho. Mais uma vez, ao possibilitar que os praticantes possam alterar suas regras, ritos e criar ‘novas religiões”, a Bruxaria trata de um ato politico revolucionário já que questiona a inflexibilidade de certas religiões sacerdotais, cristãs e abre espaço para seu próprio crescimento. Nota que nos Estados Unidos, a Bruxaria já possui maior quantidade de adeptos que a igreja presbiteriana. Ao escolher uma religião alternativa, com alto poder de replicabilidade, o praticante se opõe ao Estado religioso e ao Estado conservador e, portanto, efetua uma escolha política a favor da liberdade e diversidade religiosa, atrapalhando, mais uma vez a condução das escolhas políticas individuais.

4.8 O CIRCULO MÁGICO

Na Bruxaria moderna não existe necessidade de construção de templos. O templo para o wicca é a natureza. Na impossibilidade de uma prática ao ar livre por motivos claros, se utiliza de um círculo imaginário chamado de círculo mágico. O circulo é visto como uma intersecção entre o mundo terreno e o mundo dos deuses e pode ser aberto em qualquer lugar e horário, dispensando a necessidade de construção de templos. Além de viabilizar a prática, já que o praticante não precisa deslocar de forma rotineira ao escolher uma religião que dispensa a construção de templos, está fazendo uma escolha política. Está dizendo que o templo e a angústia de construir novos templos é supérflua e, portanto, mais uma faz uma escolha política ao afirmar uma sociedade sem templos. E ainda, questionando Estado religioso e o estado conservador e o estabelecimento de poderes políticos que se faz a partir de um templo.

4.9 É INDIVIDUALISTA

A Bruxaria moderna pode ser praticada individualmente, chamado de praticante independente, solitário ou na forma de pequenos grupos de no máximo 13 pessoas chamados covens. Enfim, não se trata de uma religião que pretende ostentar um templo e uma grande quantidade de fiéis num local. Não se trata de uma massa. Ao escolher esse modelo você está afirmando um modelo alternativo de sociedade que prescinde das massas religiosas. É um ato politico, pois apresenta uma alternativa para a prática religiosa que vai contra os interesses políticos no âmbito das religiões que vê na massa uma oportunidade de captar votos, formar partidos e bancadas. Portanto, mais uma vez ao escolher o referido modelo , é um ato que vai contra o estado religioso, conservador e a formação de bancadas e, portanto, um ato político.

4.10 PROTEGIDA

Trata-se de uma religião protegida pela Declaração Universal dos Direitos Humanos e pelo Art. 5 da Constituição Brasileira. Por ser protegida, o exercício da prática é a afirmação desta perante a lei e a sociedade. Quando você opta pela Bruxaria você está exercendo o direito a cidadania, pois você está afirmando a outras pessoas que a prática é valida, prevista em lei e deve ser respeitada. Você afirma a liberdade religiosa. E isto é um ato político. Portanto, wiccas querendo ou não ao praticarem a religião estão exercendo um ato político. 4

4.11 O MEIO AMBIENTE E TODOS OS SERES HUMANOS SÃO EXPRESSÃO DA DEUSA

As wiccas acreditam numa deusa e numa deusa imanente. Isso quer dizer que a própria natureza, animais, minerais e animais são expressões da deusa. Isto significa que toda a natureza, incluindo nós mesmos, animais e seres humanos são faces da deusa. E isto traz algumas implicações éticas e políticas. A primeira, como cultuo um deusa que é expressa na natureza não posso agir de forma indiferente quando essa face é desfigurada pela expansão capitalista por meio de desmatamentos, poluição das águas, projetos minerários e deterioração do meio ambiente de uma forma geral, pois é a própria face da deusa que é afetada. Como o ser humano e demais animais são expressões, são a própria face da deusa, não posso agir de forma indiferente quando esta face é desfigurada, quando por exemplo, outro ser humano ou animal é assassinado, humilhado, violentado, colocado por questões econômicas, políticas e financeiras em miséria ou expulso de seu habitat. E não agir com indiferença implica em agir com empatia, ou seja, agir de forma política. Não posso deixar de agir quando a face da deusa é desfigurada. E esta ação é uma ação, trata de uma escolha política. No mesmo sentido, o deus é quem protege as matas e animais e quando ajo de forma indiferente a qualquer impacto ambiental estou agindo contrário aos interesses do deus. Por isso, a importância ambiental na Bruxaria moderna. E uma religião que preza pela questão ambiental nos dias atuais é uma religião essencialmente política. Por se tratar de uma religião que é fundamentalmente feminista, que desconstrói o patriarcado, ecológica, a favor das liberdades, que preza pela diversidade cultural e ambiental, pancultural, de código aberto e individualista, concluo que a Bruxaria moderna seja inerentemente e fundamentalmente política. Isso faz dela umas das religiões mais atuais, momentosas e uma das religiões mais disruptoras e revolucionárias que se tem notícia, limitada apenas pelo medo que as pessoas adquiriram da mesma – e com razão. Quando o praticante abre o círculo mágico e chama pela Deusa-mãe ele, fundamentalmente – embora alguns não percebam isso – diz “Não” e rompe com um monte de coisas. Ele diz não ao patriarcado, a dominação feminina e a desigualdade de gêneros. Ele diz não aos efeitos perversos da lógica de acumulação capitalista sobre a vida das pessoas, sobre o ambiente, sobre águas e animais, pois ele ressacraliza a Terra e isso vai contra os interesses dos grandes capitais. Ele diz não a exploração e deterioração dos biomas e ecossistemas. Ele diz não a dominação, ao autoritarismo e sim às liberdades. Ele diz não a dominação pelo medo e pelo terror. Desafia o sistema ao exercer um direito seu garantido na legislação. Desafia o sistema ao afirmar um modelo alternativo de prática religiosa e de sociedade baseada na aceitação do outro e, portanto, de si mesmo.

4.12 SUGESTÕES DE ATUAÇÃO PARA OS WICCAS

Devido a sua sensibilidade pelas questões sociais e ambientais, os wiccas podem atuar com sucesso:- Conhecendo a realidade do país, do Estado, região ou cidade em que vive,- Na medida do possível assumindo a identidade wiccana;- Conversando na medida do possível sobre a Bruxaria a fim de eliminar maus entendidos historicamente disseminados e pela indústria do cinema de Holywood;- Escrevendo sobre o assunto, criando novos conhecimentos na área ou contando histórias. Quem fala age e muda alguma coisa no mundo;- Integrando em ONGs, conselhos; associações voltadas a questão das liberdades, gêneros, sociais ou filantrópicas e assistencialistas;- Participando da vida político-partidária da sua cidade, Estado ou país;- Atuando na esfera do legislativo, executivo ou judiciário;- Por meio do ativismo mágico buscando a proteção de áreas vulneráveis, de populações ou profissionais expostos;- Recomenda-se que integre este trabalho voltado a sociedade a seus projetos mágicos como oferta aos deuses.

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