O que entendo por profanação?

João Batista
By João Batista outubro 15, 2022 00:06
Profanação segundo o dicionário é o mesmo que desrespeito ou violação do que é santo e sagrado. Trata-se de atitude irreverente contra pessoa ou coisa que supostamente merece respeito. Trata-se afronta e irreverência. Não aconselho atos de profanação físicos por um motivo óbvio (As reações ao jornal Charlie Hebdo tempos atrás são uma prova que devemos tomar cuidado com estas coisas). Mas no plano do pensamento eles são bem vindos. Devemos sempre buscar estilhaçar os ideais e os ideais de sagrado que existem em nós. Dentro da Magia do caos (Talvez Peter Carrol trate sobre isso. Não me lembro mais), profanar é um prática que visa descondicionar o pensamento e as imposições que limitam o adepto. Diante da perspectiva de Deleuze e Guattari ou Esquizoanalítica, um ato de profanação visaria criar ravinas, erosões em sistemas muito cristalizados de pensamento que limitam o ser humano, deixando passar, vazar algo novo, que esteve estanque, a saber, a inventividade e a capacidade de criar. Diante da psicologia pragmática, da micropolítica, seria uma prática que visaria quebrar estratos, cascões que se dobram sobre o corpo intensivo das pessoas, instituições e organizações, ampliando seus potenciais e capacidade de se desarranjar. Dentro da nossa proposta, ao propor o culto a uma mulher (ipsis litteris), promove o esvaziamento de um ideal platônico e neo-platônico de sagrado. Deste ideal que nega a vida e os corpos e que, emergiu muito à vontade em todas as religiões abraâmicas e até mesmo nas ordens mesopagãs e que tem influenciado, na atualidade os discursos espiritualistas na Internet. Acho que é isso. Questiona o ideal de sagrado e também o ideal de sagrado feminino proposto e cultivado por algumas religiões. E por isso, entendo minha proposta e minha prática como um ato de profanação. Pressupõe-se que apenas algumas coisas são dignas do ajoelhar-se e ao mesmo tempo pressupõe que o ato de ajoelhar somente possa-se ser prestado a algumas coisas e situações como santos, elementos da trindade etc. Quando nossa iniciativa propõe o ajoelhar-se diante da imagem de uma mulher, estamos esvaziando o sentido sagrado vigente tanto do objeto, alvo de culto quanto o sentido do ato de ajoelhar-se. No entanto, migrando esse caráter de sagrado para outras áreas também sagradas, mas consideradas profanas. Para Espinoza deus é tudo o que existe. Portanto, para o mesmo essa ideia de não-sagrado não existe já que, tudo por default seria sagrado.
João Batista
By João Batista outubro 15, 2022 00:06
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